Entrevista com Vovô Tunico, criação do artista gaúcho Diego Granza

Filho de Alfredo Granza e da Sra. Ana Rosa Vieira, Diego Granza nasceu em 04 de julho de 1987 em Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul.

Granza trabalhava como professor de música nas escolas municipais da cidade de Ronda Alta (RS), mas não conseguia manter a atenção dos alunos e tinha dificuldade na didática das aulas.

Para solucionar o problema, Diego optou pela ludicidade e pela imaginação, grandes aliadas no processo de ensino e aprendizagem. Pediu à sua mãe, Ana Rosa, para que ela criasse o primeiro boneco. Juntos eles fizeram ajustes e Diego prontamente levou o boneco para o trabalho.

Naquele início, o boneco ainda não possuía um nome, não tinha voz e nem personalidade. Segundo Granza, as características foram sendo criadas durante o processo, junto dos alunos, com ideias deles.

Aos poucos surgia o Vovô Tunico. O boneco ganhou nome, voz, personalidade e uma história própria. Nesta entrevista, Diego Granza relembra os primeiros passos dessa trajetória:

Arquivo Pessoal.


JHONALTER: Diego, quando você iniciou seu trabalho na ventriloquia?

Diego Granza: Sempre gostei muito de Teatro de Bonecos, desde criança acompanhava e tentava construir e apresentar.

Quando entrei no “Grupo de Teatro Depois da Chuva”, tive contato com professores, com pessoas ligadas às artes cênicas e a partir daí comecei a fazer aulas e a trabalhar também com o teatro de bonecos. 


JHONALTER: Há outros personagens? Quais nomes e quem são eles?

Diego Granza: Sim, o Vovô Tunico e o Rodolfo, motorista oficial do Vovô.


Sobre a função social do personagem

JHONALTER: Diego, pelo que pude conhecer, seus esforços consistem em preservar e apresentar a cultura gaúcha. Pode falar um pouco mais?

Diego Granza: Sou apaixonado pela cultura gaúcha, pela história e o meu personagem é uma maneira de preservar e passar adiante essas histórias e costumes. Principalmente para crianças, às novas gerações gaúchas que são meu público-alvo. Então, realizo apresentações em escolas e eventos culturais no estado do Rio Grande do Sul.

Arquivo Pessoal.

JHONALTER: Muitas palavras no Brasil surgem do contato com ascendências europeias, africanas e línguas indígenas (como o tupi e o guarani) e, em especial, às práticas históricas ligadas ao campo, ao tropeirismo e à vida rural do Brasil.

Em seus vídeos, Diego, aprendemos algumas palavras como: aperreado; candeeiro; chasque; reculuta; esquilador; carijó; encadiocar etc. Essas palavras funcionam como marcas de pertencimento cultural e memória coletiva do universo gaúcho.

O Vovô Tunico tem conversado com adolescentes e jovens para saber o significado e uso vivencial dessas palavras.

Essa ponte com as novas gerações é importante? Por quê?

Diego Granza: Sim, considero super importante. O objetivo do personagem é o resgate de costumes, de histórias e de palavras.

Cresci escutando palavras que hoje são pouco usadas. Então um dos principais objetivos do boneco é resgatar a cultura, é manter viva a tradição de um modo geral.

Arquivo Pessoal.


Com o trabalho certo, técnica de entonação e disfarce, os bonecos ganham vida! Até adultos mergulham na imaginação. Nos vídeos que Diego compartilha nas redes sociais é possível notar que a maioria das pessoas se encantam e nem percebem que conversam com um boneco. Eles conversam realmente com um senhor gaúcho.

Então, convidamos para um bate-papo, o grande e inconfundível Vovô Tunico!



Entrevista com o Vovô Tunico:


JHONALTER: Vovô Tunico, quais são suas origens?

Vovô Tunico: Que alegria ser entrevistado! Muito obrigado pelo convite…

Bah! Sou brasileiro. Sou gaúcho, tchê! Eu nasci no interior de Lagoa Vermelha, na região norte do Rio Grande do Sul.

Arquivo Pessoal.


JHONALTER: Como era a sua infância? Era divertida?

Vovô Tunico: Eu cresci no sítio. Tinha muitas brincadeiras como laçar a vaca parada, jogar bola, três marias, jogo do osso.

Entrávamos para dentro de casa apenas para dormir mesmo… Até quando chovia a gente brincava fora de casa, na chuva.




JHONALTER: O senhor é aposentado? Qual foi a sua profissão?

Vovô Tunico: Hoje eu estou aposentado. Já fui motorista de uma empresa de ônibus (antes de descobrirem meu braço quebrado). Já fui porteiro de escola e músico também.






JHONALTER: Hoje o senhor mora em qual cidade? O senhor viaja bastante?

Vovô Tunico: Atualmente moro em Marau (RS). Marau é uma cidade de 50 mil habitantes, no norte do Rio Grande do Sul pertinho de Passo Fundo. Uma cidade muito boa de morar, muito evoluída, que tem muita coisa acontecendo, muito pra frente...

A maioria aqui tem ascendência italiana, então, todo mundo fala italiano, eles falam um dialeto italiano também. Os mais antigos, seguidamente você os encontra na rua falando o dialeto. Tá cheio de bandeira da Itália em Marau, por conta dessa carácterística italiana.

Mas, estou sempre viajando. O Diego, que é meu ajudante, me leva para cima e para baixo para contar histórias, conhecer pessoas, gravar vídeos… Eu adoro! 


JHONALTER: Você fala italiano, Vovô?

Vovô Tunico: Não, não. Eu vou na Festa do Salame, uma grande festa italiana, o Diego me leva pra essas festas! Mas eu sou brasileiro. Não falo italiano, eu não entendo nada! Hehehe!

Mas, venham conhecer Marau! Venham tomar um chimarrão com o Vovô!


JHONALTER: Qual o nome de sua esposa? O senhor se casou em que ano?

Vovô Tunico: A minha esposa é a Teresa, ela é sempre muito ocupada pois trabalha como mecânica em uma oficina. Então, ela nunca tem tempo pra mim, está sempre suja de graxa e sempre muito ocupada. Ela bagunça bastante aqui em casa, mas eu gosto dela.

Bah! Eu não tô lembrando o ano em que nos casamos… 



JHONALTER: Você têm alguma dica para jovens casais? Como chegar a tantos anos juntos?

Vovô Tunico: Teresa é minha paixão! Ela irradia meu dia, me faz feliz e é muito bom ter construído todos esses anos de vida com ela. Meu conselho é ter muita paciência, muita conversa sincera e muito humor, hehe. 


JHONALTER: Como é a convivência com os netos? Você é um avô babão?

Vovô Tunico: Eu tenho boa convivência, meus netos são todos de coração. Eu sempre digo que “quem quiser ser meu neto, pode ser! Já está considerado”! 

Em todos os lugares que eu vou, com alunos, nas apresentações, nos eventos, muitos netos! Isso é mágico! Amo os meus netinhos…


JHONALTER: O senhor vai pra academia? Acha importante para a Melhor Idade?

Vovô Tunico: Eu vou para a academia e faço pilates todas as semanas! Eu também pratico esporte. Meu esporte é o tiro de laço.



JHONALTER: O senhor se considera um influencer?

Vovô Tunico: Veja bem, meu trabalho principal é com contação de histórias em escolas, mas gosto muito de gravar vídeos e interagir nas redes sociais. No sentido mais positivo da palavra, eu busco influenciar as pessoas a conhecerem e preservarem a cultura gaúcha.

Arquivo Pessoal.

JHONALTER: Vovô, qual é a sua relação com o chocalho, o bumbo leguero e a música gaúcha?

Vovô Tunico: Eu era gaiteiro e acordeonista. Quando eu era jovem quebrei meu braço esquerdo. Desde então toco instrumentos que posso tocar apenas com a mão direita, hehe. Os instrumentos de percussão como bombo leguero e chocalho.

Uma das histórias que mais gosto de contar é sobre o bombo leguero, como ele surgiu e como se tornou folclórico no Rio Grande do Sul. Meu principal instrumento hoje é o bombo. 

Cortes do vídeo em @vovotunico.


JHONALTER: As danças gaúchas, Vovô, o senhor aprecia? Qual é a importância? Qual seu estilo de dança preferido?

Vovô Tunico: Eu adoro as danças gaúchas, os ritmos, meu principal é o Chamamé, um ritmo argentino e usado na cultura gaúcha também.

Gosto bastante da Valsa Europeia que também é utilizada na cultura gaúcha.

Chamamé - FERNANDA MARCON/DIVULGAÇÃO/JC - Jornal do Comércio (2021).

Valsa Europeia - Blog Churrascaria Garfo & Bombacha, Noite Gaúcha, Canela-RS, (2024).


JHONALTER: Vovô, quais os três grupos ou cantores que vêm em sua mente quando se fala de música gaúcha? Por quê?

Vovô Tunico: Os Bertussi - por todo o legado e por tudo o que construíram para a nossa música regional Gaúcha.

Os Mirins, por que gosto bastante das letras das músicas e são músicas boas de dançar.

Por fim, eu gosto bastante do Luiz Marenco, cantador do estilo nativista, que daí é pra escutar em casa descansando, tomando um mate. 


JHONALTER: Quais outros símbolos compõem a identidade gaúcha?

A Pilcha (indumentárias masculina e feminina); o Pala (pois o clima no sul é frio); o mate; o lenço no pescoço é bem importante pois servia para identificar o lado político e militar do combatente em guerras históricas; o cavalo; os costumes de trabalhar no campo, no sítio; o churrasco assado no fogo de chão… São muitos os símbolos que construíram a nossa identidade.


JHONALTER: Sobre chimarrão, mate, chás e outras bebidas. As confraternizações ficam mais afetuosas com essas bebidas, Vovô?

Vovô Tunico: Sim, o chimarrão, por exemplo, para nós é muito mais que uma bebida, é um ritual diário, um momento de compartilhar o dia. Se estamos em grupo é de compartilhar experiências, se estamos sozinhos é de reflexão. O dia não é o mesmo sem tomar chimarrão.


Ping-pong, Isso ou Aquilo:










Finalizando…


JHONALTER: Vovô Tunico, qual mensagem que o senhor tem para as novas gerações?

Vovô Tunico: Conversem com seus avós. Se não têm, conversem com pessoas mais velhas e, principalmente, escutem as pessoas mais velhas. Escutem o que elas têm para dizer, para contar, sempre. É impossível não sairmos melhores seres humanos depois de um bate-papo com eles. 



JHONALTER: Por fim, Vovô Tunico, uma última pergunta: qual a sua mensagem para os gaúchos com mais de 60 anos?

As gerações fortes, resistentes, de ouro, que semearam a cultura, que zelam por valores inegociáveis e que (infelizmente, Deus quisera que fossem eternos) estão indo…

Qual a mensagem o senhor quer deixar para eles?

Vovô Tunico: Continuemos juntos, com amor à tradição. Sempre que puderem, passem um ensinamento, uma história para uma criança. As nossas histórias e a perpetuação nos fazem imortais.


Quero uma visita! Onde encontrar o Vovô Tunico?

Se você é educador, diretor escolar ou professor e deseja levar o Vovô Tunico para palestrar em sua escola ou universidade, você pode realizar o contato através das redes sociais. O convite também está aberto para gestores de eventos que desejam preservar e perpetuar as tradições gaúchas.

Abaixo, estão disponíveis as redes sociais do Vovô Tunico para que o leitor possa conhecer seu dia a dia, suas viagens com o Rodolfo e seu criador Diego.

Instagram: CLIQUE AQUI.

Youtube: CLIQUE AQUI.

Facebook: CLIQUE AQUI.




Sobre o autor entrevistador:

Jhonalter Campos é Professor licenciado em Pedagogia pela Faculdade Galileu. Ex-Assessor Parlamentar da Câmara Municipal de Anhembi, também atuou como Professor da pré-escola da rede municipal. Atualmente, Jhonalter cursa a segunda graduação em Jornalismo e está disponível para colaborações e parcerias na área da Comunicação. Instagram: @jhonaltercampos.

Comentários

Postagens mais visitadas