Entrevista com Érico San Juan: o cartunista de humor, desta vez, um tanto poético.

Érico San Juan (50) é cartunista, ilustrador, apresentador de podcast e um artista dinâmico. Nascido em 03 de janeiro de 1976 em Piracicaba/SP, Érico teve uma infância criativa que moldou os rumos de sua vida.

O Designer Gráfico e Radialista está celebrando os “35 anos de Humor” neste ano. Foram inúmeras obras e diversas contribuições que Érico realizou durante os 35 anos de carreira. Recentemente, o Jornal Capiau – encarte mensal de A Tribuna Piracicabana – narra a trajetória e os trabalhos de Érico, suas dezenas de personagens, dezenas de gibis e livros. Os leitores, admiradores e fãs podem ter acesso ao acervo e conhecer os detalhes pelo próprio cartunista.

Em março de 2026, Érico foi homenageado pela Câmara Municipal de Piracicaba por seus 35 anos de carreira, 32 livros e 80 exposições. Uma trajetória repleta por desafios, transformações, criações e alegrias.

Nesta entrevista Érico abordou temáticas como arte e curadoria; amor e psicologia; o poder da internet de eternizar; maturidade e identidade; autovalorização e repressão social.

A Entrevista:

A seguir, a entrevista muito bem-humorada onde pude conhecer Érico, realizada em 20 de maio de 2026 na cidade de Piracicaba.


JHONALTER: Do mais profundo zero, qual é o start, qual é a origem para uma obra?

ÉRICO SAN JUAN: A caricatura é a pessoa que está na minha frente, a personagem já está pronta. No caso da tirinha, eu via muito desenho animado quando molequinho. Sou da época em que a TV era a mídia principal, da época do Pica-pau, Tom & Jerry, esses desenhos animados. Eu sempre imaginei, mesmo fazendo quadrinhos, em algum personagem que se movesse. Então, no quadrinho, do meu jeito eu tentava dar movimento. Eu achava um barato ter um personagem. Com a Caricatura é a mesma coisa, como eu falei, como eu falei a pessoa está na minha frente. A Caricatura para mim é um personagem da vida real. Se eu for desenhar você, como todo cartunista, eu vou pegar uma característica marcante. Geralmente quando eu faço ao vivo em eventos eu converso com a pessoa um pouquinho para saber um pouco dela também, pois não é só o que está na minha frente, mas é tentar captar a essência.

O personagem é mais difícil porque você tem que inventar. No caso do Leco, eu explico que seja uma influência do ambiente embora meus personagens não sejam locais, aqui temos o rio de Piracicaba… O “Dito, o bendito”, essas características dele: o chapéu, a camiseta listrada, eu pensei um malandro carioca, aquela figura dos anos 40. Figura romantizada do malandro carioca que o Chico Buarque, Moreira da Silva, por exemplo, exploraram nas músicas deles. Trata-se mais da referência visual. O Dito começou como comentarista do cotidiano, sozinho… Em uma fase ele trabalha em um restaurante e conversa com o cozinheiro do restaurante. Ele tem um gato, sempre com diálogos. Depois, com o filho. Em cada fase vai mudando os traços e ele vai ficando mais velho. Desde a fase de comentarista ácido até a fase mais recente em que ele está conversando com o neto dele.

É porque eu gosto de música popular brasileira, então a minha referência visual foi essa figura do malandro. Trata-se do que a gente gosta, do que está no universo da gente, o que temos afinidade.


JHONALTER: As inspirações podem vir do ambiente, podem ter origem pela busca de movimento, da observação etc. Mas, como é o processo prático de criação?

ÉRICO SAN JUAN: Eu vou relacionar o processo com eu me preocupar com o possível leitor. Nunca pensei em fazer só porque eu gosto. Eu gosto, mas eu quero que alguém leia. Eu estou pensando em alguém que vai ler e isso direciona, não na criação que é livre, mas sempre esperando que seja lido por alguém. Retomo o exemplo da produção que fiz na infância sobre o XV de Piracicaba, exemplar único que fiz para um concurso da Secretaria de Educação. Meu irmão havia feito a História de Piracicaba em quadrinhos, pretensioso (risos)! Eu fiz a história do XV de Piracicaba. A gente tinha em mente que deveria fazer algo diferente pra chamar a atenção. A gente era criança e já pensava assim. Como a gente lia muitos gibis do Tio Patinhas, Pato Donald que tinha em bancas de jornal que tinha em casa esquina aqui [em Piracicaba], hoje já nem tem mais. A gente já sabia que os gibis eram feitos para alguém ler, como nós líamos. Para o que a gente fazia, a gente tinha essa mentalidade com os recursos de criança e tudo mais.

Esse da história do XV de Piracicaba era um exemplar único. Eu fiz centenas de gibis com exemplares únicos de personagens. Este foi direcionado: “eu vou fazer algo que chame a atenção pro concurso” e acabou dando certo. Recebi o primeiro lugar com menção honrosa. Sempre fui movido por fazer algo diferente para ser compreendido por alguém que lê, isso desde criança . Respondendo a pergunta: não é o processo, mas a vontade inicial de fazer algo diferente para alguém ler.


JHONALTER: O “produto final” passa por crivo? Qual? De quem?

ÉRICO SAN JUAN: Eu sempre tive a mania de ser autossuficiente (risos). Por exemplo, o Capiau eu faço sozinho. Trata-se de uma parceria com o Evaldo Vicente que me dá a possibilidade de preencher oito páginas de um tabloide mensal. Às vezes é maior por datas ou comemorações especiais. Em uma época em que os jornais estão escassos, como eu tenho um jornal inteiro dentro de outro jornal? Ele acha conveniente no momento. Esta é a segunda parceria que faço com A Tribuna Piracicabana. Em 2001, eu fiz uma página n’A Tribuna. Desde criança tive essa saudável mania de ser autossuficiente.

O meu modo de fazer passa pelo crivo do leitor. Eu corro risco porque às vezes pode não estar tão bom assim. Mas, eu assumo esse risco. E eu acho que dá certo, pois estou até hoje produzindo.


JHONALTER: Você é muito exigente consigo?

ÉRICO SAN JUAN: Quando estamos no olho do furacão, não temos esse distanciamento para julgar o próprio trabalho, é muito difícil.

Eu estou tendo agora, depois de mais velho, por causa das edições recentes.

Eu tive de pegar meu arquivo e rever trabalhos de 30 anos atrás. Agora eu consigo ter um distanciamento de editor mesmo. Nas edições anteriores à edição n°25, havia trabalhos de outras pessoas, um revezamento de outros cartunistas, e eu sempre fechava com a minha página final.

Eu acho que estou conseguindo fazer uma curadoria razoável do meu próprio trabalho por causa da comemoração dos 35 anos. Mas, é difícil. É muito difícil ter um juízo sobre seu trabalho de maneira distanciada. A gente tenta (risos)!


JHONALTER: Existe uma definição de “sacada” em uma tirinha e como construir uma sacada?

ÉRICO SAN JUAN: (Risos) Eu poderia dar uma resposta conceitual, mas para mim, felizmente que gosto disso [de fazer arte], eu dou um exemplo. Em minhas parcerias, eu me livro da responsabilidade de fazer a piada que define o trabalho. A gente trabalha com parceiros que têm um modo parecido de ver as coisas, né? Então, eles têm o mesmo processo que eu.

É o que se fala sempre quando estudamos desenho: repertório. É necessário ler. No entanto existe a visão de mundo, a bagagem cultural. Eu destruo essa coisa de “um raio caiu na cabeça”. É trabalho. Claro que ter uma vocação e uma visão de mundo que se atente por humor é mais fácil. Você vai depurando isso.

Nessas edições eu tenho a oportunidade de entender que desde a versão de 88 há um caminho que desaguou aqui (2026). A atitude que tive no passado continua a mesma, só que muda os meios e a maturidade vem com a prática.


JHONALTER: Caricaturas, charges, tirinhas etc. são ferramentas sociais com quais objetivos?

ÉRICO SAN JUAN: Que pergunta de jornalista! (Risos). Eu dou o meu depoimento no que estou fazendo. O ato de fazer é: “Olhem, eu estou oferecendo isso pra vocês [leitores]. O mais humor que eu posso”. Claro que eu tenho uma visão ácida. É humor de comportamento. O comportamento não precisa ser o [comportamento] do político da vez. É da espécie humana. Em todas as épocas.

Esse jornal aqui [Capiau] não tem charge porque ele é mensal. Porque se eu editar hoje a charge de hoje para publicar daqui a um mês, vai perder a validade. Charge é perecível em conteúdo. Eu sou dos quadrinhos. Eu já fiz várias vezes, mas ela é para o presente.

As tirinhas duram mais. Você faz uma tirinha e você pode fazer um livro [coletânea] com ela depois. Se você for fazer uma coletânea de charges, você terá de fazer notas para cada uma e falar do contexto em que foi feita cada charge.

Jornal Capiau, p. 2. Edição n° 26 | 17/01/2026. A Tribuna Piracicabana. 

Para mim não é uma questão de ideologia, é prática. Sempre vou para o lado prático, embora seja arte e você viaja como quiser.

Eu não me identifico com charges, porque comecei com quadrinhos, embora eu reconheça o valor delas. Eu fiz várias vezes.

Eu faço os materiais com esperança de revisitar como estou fazendo aqui [edição dos 35 anos].

Jornal Capiau, p. 2. Edição n° 26 | 17/01/2026. A Tribuna Piracicabana.

Por exemplo, se eu fizesse uma charge falando do Lula em algum momento do passado, seria uma coisa muito pontual. Então, não sobrevive. O Silvio Santos foi homenageado por uma escola de samba [charge de 18/02/2001, Portal Vila do Cirilo]. Ele é atemporal.

Por isso, a minha maior identificação é com quadrinhos e cartuns.



JHONALTER: Houve determinado momento em que um trabalho em específico incomodou? Quando é por quê?

ÉRICO SAN JUAN: Teve. Foi uma caricatura ao vivo. É o seguinte: com a caricatura você oferece um “espelho quebrado” para a pessoa. A pessoa precisa estar desarmada, com o espírito aberto. Geralmente funciona, graças a Deus.

Contextualizando, funciona assim. Estamos num evento. Se eu te desenhar e as pessoas verem, uma transmite à outra e se forma a fila. Quando acaba a última pessoa e esvazia, não vem mais ninguém. Em um domingo, uma criança se aproximou. Eu fiz e a criança não disse nada. Depois, os pais vieram irritados e querendo satisfações e a situação foi resolvida.

O meu desenho não é agressivo, às vezes os traços são pesados. Mas, a obra não é agressiva.

Infelizmente não controlamos a percepção alheia. Hoje em dia, há polêmicas sobre charges, por exemplo, sobre fazê-las ou não: “não era para fazer aquilo”. Mas, é questão de interpretação. Há pessoas que induzem para crucificar o chargista. A interpretação fica distorcida. Na internet, para defender uma causa, há quem fique procurando pêlo em ovo.

“Charge” tem origem francesa e significa “carga”. Por aí, você vê a energia da charge.


JHONALTER: Para começar a se inserir, tem que criar a arte e os meios de divulgá-la. Nesse processo, como o caricaturista consegue encontrar seu próprio estilo?

ÉRICO SAN JUAN: Fazendo. Não tem jeito. O Leco que mostrei, por exemplo, eu acho que já tinha uma característica ali, mas estava muito crua. Vinda da influência do que eu lia que tinha traço limpo como os personagens da Disney, linhas definidas.

Eu fui muito pelos quadrinhos. É a prática. Não tem outro jeito. Você tem que desenhar todo dia.

O que eu acho que ajuda é você ter projeto, e aí está a minha noção de embalar para consumo. Se eu fizesse só tirinhas, eu estaria só no Instagram que é uma baita vitrine legal. Como eu vim do gibi que é o produto acabado com veículo próprio, eu sempre quis ter um veículo próprio. No meu caso eu não dissocio a produção do modo de publicar.

O que eu quero dizer: fazer uma tirinha é fazer projeto. O estilo você faz trabalhando. E se você tiver uma reação do público, no caso da rede social hoje, você se sente estimulado a fazer. Mas, é um projeto a longo prazo. Você tem que se exercitar.

A internet hoje permite você ir perdendo a timidez e fazer conexões e se confrontar com outras visões de humor. Você tem afinidade com as pessoas e propõe. E dá certo!

Então, trabalhar com outras pessoas, entrar em contato com gente diferente de você e desenhar bastante e não ter medo de críticas.

A gente quer reconhecimento. Às vezes tem o “não”, tem indiferença, isso é o mundo.

Se você tiver convicção: “eu quero fazer”, vai e faz. Alguém vai acreditar em você.


JHONALTER: Há dias em que há enfado ou falta de inspiração para criar? O que faz nesses dias?

ÉRICO SAN JUAN: Todo dia! (Risos). Eu não romantizo nada e isso porque eu adoro o que eu faço. Isso aqui [os jornais] é uma trajetória. Não é algo que comecei de repente. Como a gente trabalha direcionado, a gente tem que ter uma empreitada, uma demanda. Eu invento as minhas demandas quando não tenho.

Como eu disse, em 2001 eu inventei uma página, Rio. Além desse jornal [Capiau], eu fiz outros jornais independentes nesses moldes desde 2001. Em 2023, eu sugeri para o editor d’A Tribuna Piracicabana a criação de uma nova página de humor. Em novembro, “Capiau” começou como uma página semanal. Um mês depois, eu sugeri substituir a página do último fim de semana do ano por um tabloide especial. Mais trabalho, mas se você encarar a parte braçal assim, você não faz nada.

Em janeiro, continuei fazendo a página e a proposta foi para continuarmos também com o jornal mensal. Então, teve mês em que fiz três páginas semanais e fechava o mês com um jornal.

Em abril de 2024, eu sugeri concentrar esforços no jornal mensal e então começamos a fazer o Capiau mensal e até hoje é assim.


JHONALTER: Como evitar que a paixão pela arte acabe e o ofício se torne um fardo?

ÉRICO SAN JUAN: É um clichê o que eu vou falar: vira amor. Paixão é um entusiasmo violento e até hormonal. E amor você cultiva. É muito poético para um humorista falar isso (risos), mas tudo bem…

Você tem aquele entusiasmo que combina com a sua idade: você só quer fazer isso. Eu, de fato, quase que só faço isso.

Essa curadoria, o distanciamento para ver a qualidade do trabalho para conseguir escolher e colocar o melhor nas edições de celebração.

O apaixonado, por outro lado, vai jorrando tudo, qualquer coisa, até publicando qualquer coisa.

Isso é a minha vida. Eu não me dissocio mais disso aqui. Desde os seis anos de idade minha vida é essa. Não imagino outra vida, por mais que eu transite do jornal para a internet.


Eu tenho quatro anos de podcast. No programa do Fernando Vítolo, em 2023 ele me entrevistou e, depois, me convidou para ser colunista do programa dele. Eu fiz um quadro: “Caricatura também é cultura”, eu dei este nome. Em um minuto no máximo, eu apresentava uma caricatura. Por exemplo: Tom Jobim, uma crônica curtíssima falando sobre o Tom Jobim e no final o meu trabalho sobre ele. E a coisa multimídia, né?

Eu fiz Radialismo. Chegou um momento em que eu quis depurar a minha comunicação. Dar entrevista exige trabalho também. Antes, eu pensava que tinha que me comunicar só pelo desenho. Mas, depois de um certo momento eu passei a achar que precisava (risos)! Porque você tem que defender seu peixe, não é só você servir o peixe.

Eu fiz esse quadro com ele [Fernando Vítolo], depois fiz podcasts em áudio e depois em vídeo também. O “Ilustre Podcast”; o “Podcast Capiau” com artistas que tinham colaborado com o jornal, onde entrevistava os colegas e o mais recente, o “Podcast Curto”. Eu sou do contra mesmo (risos)! Em vez de fazer cinco horas, eu faço com dez minutos. Perguntas que devem ser certeiras.

E volto a falar: são personagens. Eu estou desenhando eles com as minhas perguntas.


JHONALTER: Olhando sua trajetória de 35 anos: qual é o seu maior aprendizado?

ÉRICO SAN JUAN: Como eu sou humorista, talvez explique essa suposta modéstia. O aprendizado é o seguinte: é viável ser você mesmo. Hoje tem o “autoconhecimento” que não é coisa de coach, depende da gente. Eu tenho meus problemas como qualquer pessoa.

No entanto, a conquista da sua voz é muito importante. Isso é independente de ser artista, qualquer coisa que você faça. Se realizar com a sua voz. Brigar e lutar para você ter a sua voz. A tendência é ter muita gente cortando o nosso barato e impedindo.

Se você tem consciência de quem você é do que você faz vale a pena, o tal do “propósito”. Você se realizar com o que você faz com suas potencialidades.

JHONALTER: Os efeitos dos seus trabalhos são momentâneos ou atemporais?

ÉRICO SAN JUAN: O meu trabalho é atemporal. E não foi nem estratégia, foi por questão de afinidade com a linguagem que eu trabalho.

Nós somos produtos do meio. É muito natural. Outra palavra muito utilizada atualmente: é muito “orgânico” (risos). É espontâneo.

A gente defende o que a gente gosta, o que nos apetece. O que tem mais identificação. A minha origem são os gibis que têm o seu valor. Era um entretenimento. Mas, um entretenimento que tinha muita substância e sofisticação. Asterix é um clássico do quadrinho europeu. É um exemplo de sofisticação da linguagem, uma obra muito bem elaborada de gente muito inteligente. Com certa complexidade até e criança lia.

A gente faz o que realmente está no imaginário da gente e a origem conta muito, as referências da gente.

JHONALTER: Qual é a herança que você espera deixar para Piracicaba e a cultura do Brasil?

ÉRICO SAN JUAN: Jesus! (Risos). Então, a gente não pensa quando está fazendo. Eu comecei a pensar por causa dessa retrospectiva. Você vê que já tem um tempo de estrada fazendo isso que você fala: “Caramba! Meu Deus do céu!” (Risos).

A gente vai ficando careca, barrigudo, eu tenho mesmo cara de senhor… Você percebe que já tem uma bagagem muito grande. Nessas edições de celebração, eu tenho publicado coisas velhas de 2015, 2012 etc. Se isso chama legado ou herança…

Eu tenho esperança de que a internet sobreviva e o que eu coloco lá permaneça. Como um papel. Como um jornal do século XIX está na Biblioteca Nacional e colocaram lá digitalizado. A esperança é essa. Eu faço o serviço completo: a criação, a publicação e ainda coloco na internet. No caso, a internet é a esperança da permanência. Atualmente é um depoimento vivo, ainda não é a herança (risos). Depoimento vivo de uma trajetória muito… desapegada nem tanto, mas pelo menos para mim tem sido bem divertida. Se for para os outros, ótimo.



Caminhando para o final da entrevista, pensei sobre as várias e incríveis entrevistas que Érico participou. É possível perceber que seu humor e maneira de ver o mundo são incríveis e peculiares.

Toda entrevista tem como objetivo mostrar o trabalho do convidado e sua história. Tantos anos, talvez haja alguma informação, sentimento, fato etc. que determinado entrevistado possa nutrir e não tem oportunidade de se desdobrar. Partindo desta premissa, perguntei o seguinte:

JHONALTER: Para encerrarmos: qual pergunta que nunca ninguém fez e você pensa: “Nossa! Se alguém me fizesse essa pergunta…” e consequentemente a resposta?

ÉRICO SAN JUAN: Geralmente, é perfil psicológico do artista, tá?! (Risos). Eu acho muito engraçado que o ser humano, não é só o artista, o ser humano é carente de reconhecimento. A gente quer ser bajulado, mimado, adulado, quer ser elogiado, né?! Eu não sou diferente disso.

Como eu faço o produto do começo ao fim, da ideia à distribuição, então eu já tenho um termômetro de muitos anos sobre possíveis reações do público, sabe? É natural. Eu faço pensando em alguém, como já falei.

Só que tem a questão da convivência do meio artístico ou jornalístico ou de cartunistas. Há muitas pessoas bastante infantis no sentido de ter alegria para mostrar o desenho que ele fez para a tia da escola: “Veja, tia! Eu que fiz!”. A realização da vida dele é a tia falar: “Tá bonitinho demais, Fulano!”. O artista até a morte quer esse reconhecimento de “eu que fiz, elogiem”.

A pergunta que poderia ser feita para mim é: “você ainda tem a mesma sensação que você tinha, hoje fazendo seu trabalho, quando você fazia em casa ou na escola, quando você era criança? Você continua sendo criança no teu trabalho?”.


JHONALTER: E a resposta é?

ÉRICO SAN JUAN: Eu sempre lutei para continuar assim. E não é porque há inimigos querendo me pegar, não. É porque a sociedade anula a gente. A gente é anulado o tempo todo. Quem tem personalidade é combatido. A gente é treinado para ser multidão, rebanho.


Érico finaliza:

“Você preserva a criança que você tinha? Ela te move?”. Move até hoje. Só que eu batalho para manter isso.


Uma vida com propósitos e alguns clichês

Há destaque às frases do Érico, pois todas as frases carregam a maturidade de uma vida "divertida" – como ele mesmo descreveu. O trabalho é técnico, mas não é um fardo. Requer leitura, trabalho, prática e disciplina. E nesse desafio diário de desenhar a sociedade, não por paixão momentânea, mas por cultivo contínuo e persistente é produzido vida, reflexão, melhorias e esperança.

Érico nos ensina que com o passar dos anos adquire-se a segurança de compreender o valor precioso, indiscutível e inviolável da própria voz e identidade. Ao mesmo tempo em que não anula o outro – neste contexto, o leitor – para que possa aferir o impacto de sua própria obra.

Professor Jhonalter Campos à esquerda e Cartunista Érico San Juan à direita.


Onde encontrar Érico?

Mais recentemente, Érico San Juan é colunista do Canal Younik com seu artigo de estreia: "PULGA QUE PARIU!" (leia aqui).

Érico produz sua página mensal RECANTO no Jornal A Tribuna Piracicabana e você pode ter acesso através do site d'@atribunapiracicabana.

Você pode segui-lo no instagram pelo @ericosanjuan onde Érico divulga seus trabalhos, relembra sua obras e divulga novos projetos.





Jhonalter Campos é Professor licenciado em Pedagogia pela Faculdade Galileu. Ex-Assessor Parlamentar da Câmara Municipal de Anhembi, também atuou como Professor da pré-escola da rede municipal. Atualmente, Jhonalter cursa a segunda graduação em Jornalismo e está disponível para colaborações e parcerias na área da Comunicação. Instagram: @jhonaltercampos.


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